Pré história
O concelho de Chaves é rico em vestígios da pré-história
(dos períodos neolítico e do calcolítico (3000 a.c.), como
da idade do ferro, além das necrópoles, dessas épocas abundam as demonstrações de arte
rupestre, bem como castros de origem Celta. De entre estes, o Castro
de Curalha, que foi tratado de maneira a poder ser referenciado como um
lugar de visita obrigatória. Este castro está situado a 7km de Chaves, ao lado
da Estrada Nacional nº103 (Chaves/Braga). Instalado no topo de um morro ,
marcado por um enorme pinheiro manso, tem a rodeá-lo uma extensa muralha de 240m
que protege um recinto de casas ainda facilmente identificadas. Essa muralha tem
entre 2 a 3m de espessura e é a primeira de um total de 5. De entre as casas
identificam-se em especial duas, a do chefe e a de uso colectivo. Mais distante,
perto de Roriz, encontra-se um monumento curioso, denominado "Castelo do Mau
Vizinho" supõe-se que seja um santuário pré-histórico, composto por um altar
e locais de sacrifício. Num outro local, encontra-se uma pedra de 18 por 6
metros na qual estão gravados cerca de 500 sinais diversos entre os quais se
encontram cruzes, colheres, pás, entre outros. Este local designado por Outeiro
Machado situa-se em “Vale da Anta” a cerca de 5km de Chaves.
Idade antiga
À
2000 anos os romanos fixaram-se no vale e no local onde hoje está situada a
cidade de Chaves.
Construíram
muralhas, estradas, pontes, barragem, termas,
exploraram minas de ouro.
Os
Romanos no ano 78dc elevaram o local a município, pelo imperador Tito Flávio Vespasiano, sendo o local passado a ser conhecido por
"AQUAE FLAVIAE". devido ás propriedades das águas termais a que os
romanos davam muito valor, ficando logo considerada uma colónia romana.
A
ponte romana que une as duas margens do Rio Tâmega que atravessa a cidade e que
é o logótipo da cidade, conhecida pela ponte de
Trajano é o mais notável monumento que foi herdado da ocupação romana.
Foi construída entre o fim do 1º século e o principio do 2º século (98 e
104 d.c).
Tem cerca de 150 metros de comprimento, 16 arcos, quatro dos quais estão
soterrados, e no meio ergueram duas colunas
cilíndricas epigrafadas.
A primeira coluna diz:
"IMPERANDO
CESAR NERVA TRAJANO AUGUSTO GERMANICO DACICO, PONTIFICE MÁXIMO,
COM PODER TRIBUNÍCIO, CÔNSUL A 5ª VEZ, PAE DA PATRIA, OS
AQUIFLAVIENSES TRATARAM DE FAZER À SUA CUSTA ESTA PONTE DE
PEDRA"
A segunda coluna diz:
"IMPERANDO CESAR VESPASIANO AUGUSTO,
PONTÍFICE MÁXIMO, COM PODER TRIBUNÍCIO A DÉCIMA
VEZ, IMPERADOR A VIGÉSIMO, PAE DA PATRIA, CÔNSUL
A NONA VEZ, IMPERANDO TAMBÉM TITO VESPASIANO
CESAR, FILHO DO AUGUSTO, PONTÍFICE, COM PODER
TRIBUNÍCIO A OITAVA VEZ, IMPERADOR A DECIMA
QUARTA, CÔNSUL A SÉTIMO (...) SENDO LEGADO DO
AUGUSTO O PROPRETOR CAIO CALPETANO RANCIO
QUERINAL VALERIO FESTO E SENDO LEGADO DO AUGUSTO
NA LEGIÃO SÉTIMO, DECIO CORNELIO MECIANO E
PROCURADOR DO MESMO AUGUSTO, LUCIO ARRUNCIO
MAXIMO, A LEGIÃO SÉTIMO GEMINA FELIZ E DEZ
CIDADES, A SABER: OS AQUIFLAVIENSES, OS
AOBRIGENSES, OS BIBALOS, OS COELERNES, OS
EQUESOS, OS INTERAMNICOS, OS LIMICOS, OS
NEBISOCOS, OS QUARQUERNOS E OS TAMAGANOS(...) "
No museu da região
Flaviense existe uma terceira coluna, chamada de "Padrão dos
Povos" encontrava-se no leito do rio junto à ponte e descoberta
em Agosto de 1980,
dedicado aos 10 civitates, aos imperadores Vespasiano e Tito, ao legado propector de Augustus, e à Legio VII Gemina
Félix.
"AQUIFLAVIENSES,
AOBRIGENSES, BIBALI, COELERNI, EQUAESI,
INTERAMICI, LIMICI, AEBISOCI, QUAQUERNI E
TAMAGANI (ERIGIRAM ESTE MONUMENTO) AO IMPERADOR
CAESAR VESPASIANUS AUGUSTUS, PONTÍFICE MÁXIMO,
COM O PODER TRIBUNÍCIO PELA DÉCIMA VEZ, ACLAMADO
IMPERADOR PELA VIGÉSIMA VEZ, PAI DA PÁTRIA E
CÔNSUL PELA NONA VEZ, AO IMPERADOR (TITUS)
VESPASIANUS CAESAR, FILHO DE AUGUSTUS,
PONTÍFICE, COM O PODER TRIBUNÍCIO PELA OITAVA
VEZ, ACLAMADO IMPERADOR PELA DÉCIMA VEZ (E AO
CAESAR DOMITIANUS, FILHO DE AUGUSTUS, CÔNSUL
PELA SEXTA VEZ), A GAIUS CALPETANUS RANTIUS
QUIRINALIS VALERIUS FESTUS, LEGADO PROPRETOR DE
AUGUSTUS, A DECIMUS CORNELIUS MAECIANUS, LEGADO
DE AUGUSTUS, A LUCIUS ARRUNTIUS MAXIMUS,
PROCURADOR DE AUGUSTUS E À LEGIO VII GEMINA
FELIX."
Nesta época, Aquae Flavie foi o maior centro comercial e rodoviário da
Gallaecia meridional com a mesma importância da Bracara Augusta.
Das
estradas que passavam pelo local eram a Bracara Augusta para Vila Real e
Lamecum para Lamego e Asturica para Astorga.
Por
volta do século III, Aquae Fláviae é invadida pelos Suevos que
acabaram com a colonização romana a então "Xavias" foi
um bispado, sendo Idácio de Límia o seu bispo, do seu punho saiu o
"Chronicon" livro em que relata as guerras entre os bárbaros.
Estas guerras tinham
como objectivo a disputa dos restos do império romano
terminaram mais tarde com o desaparecimento do reino suevo perante o poder
Visigodo.
Idácio de Límia foi bispo de Chaves entre 428 e 460 DC.
As guerras pela conquista do trono, realizadas entre os dois irmão Remismundo e
Frumário, deram a vitória a este e que levaram quase a
destruição da vila Xavias.
Com o desaparecimento dos Suevos ocuparam a região os Visigodos.
Idade média
Já integrada no reino Visigodo como o resto da península,
Flávias foi ocupada pelos muçulmanos no
início do século VIII ano 716, venceram o monarca visigodo Rodrigo e
ocuparam a região.
No
ano 744 D. Afonso I, rei de Leão conquistou a vila.
No
século IX voltou à posse dos mouros. No ano 888 D. Afonso III rei de
Leão voltou a conquistar a vila. que foi dada por dote a D. Teresa, filha
de D. Afonso VI, rei de Leão, quando
casou com D. Henrique (pais de D. Afonso Henriques) fazendo parte integrante do
Condado Portucalense desde a sua origem.
No ano de 1129 a vila foi
novamente ocupada pelos mouros.
Os povos bárbaros chamaram-lhe "Chavias" ou "Xavias",
o que veio mais tarde ao nome actual, Chaves.
No
ano de 1160 passou de vez para o reino de Portugal, sendo conquistada aos mouros
pelos irmãos Rui e Garcia Lopes que ofereceram a sua vitória a D. Afonso
Henriques, que lhes deu o governo da praça e o direito de usar o apelido de
Chaves.
Em
1212 foi de novo ocupada por D. Afonso IX de Leão e novamente reconquistada em
1231.
O
primeiro município medieval a formar-se foi o da Torre
de Ervededo. Foi doado em 1132 ao arcebispo de Braga por D. Teresa,
mãe de D. Afonso Henriques. Recebeu foral em 1238.
Teve
uma existência atribulada mudando várias vezes de nacionalidade, Lêones,
Castelhano, Galego e Português.
O concelho de Torre de Ervededo foi extinto em
1853. Resta os edifícios da câmara e da prisão.
Em
1258 é criado o concelho de Santo Estevão de Chaves (ou de Chávias, ou Tchavias) devido a decadência de
Chaves, foi nesta altura reconstruído o castelo de S. Estêvão. Local humilde mas
que teve como cenário o casamento de D. Afonso III com a D. Beatriz, filha
ilegítima de Afonso X, rei de Castela.
Em 1253 realizou-se em Chaves.
o casamento de D. Afonso III com a sua sobrinha D. Beatriz, filha de Afonso X, o
Sábio.
Chaves
recupera habitantes e importância no século XIII por D. Afonso III, o Bolonhês, que lhe
concede em 15 de Maio 1258 a 1ª carta de foral e é elevada à categoria de vila.
D. Dinis no século XIV manda construir o castelo com a sua
formidável Torre de
Menagem e a muralha na cota superior ao rio Tamêga.
O rei D. Afonso IV concede novo foral
em 1350.
Chaves
foi palco de escaramuças com os Castelhanos, era um ponto estratégico de
ofensivas e defensivas. Sempre que havia crise na capital do Reino de Portugal,
com desavenças de sucessão ao torno era reflectido em Chaves.
Em
1385 Chaves estava integrada em Castela, tendo D. João I, com o seu exercito
dirigiu-se à vila para a reconquistar. Chaves esteve cercada 4 meses e só foi
reconquistada com o auxilio de D. Nuno Alvares Pereira.
O senhorio da
vila foi então dada a D. Nuno Alvares Pereira, que o viria a ceder a D. Afonso,
seu genro, fundador da Casa de Bragança, na qual Chaves, que a conservou durante
vários séculos.
D. Afonso
I, filho ilegítimo de
D. João I e de Inês Pires Esteves, nasceu
provavelmente em 1380, no castelo de Veiros. Em 1401 casou com D. Beatriz
Pereira, de quem teve três filhos. A sua primeira esposa era filha de Nuno
Álvares Pereira e, como dote pelo seu casamento com o infante, receberia a vila
e castelo de Chaves, a terra e o julgado de Montenegro, o castelo de Montalegre,
as terras de Barroso e Barcelos, a que se juntavam outros coutos e honras
de Entre-Douro-e-Minho e de Trás-os-Montes, bens que se
vinham acrescentar às doações de D. João I a seu filho, sobretudo os julgados de
Viana, Faria e Vermoim e ainda a terra de Penafiel. Foi este o imenso núcleo
patrimonial que esteve na origem da Casa de Bragança, cujo título ducal viria a
ser concedido a D. Afonso em 1442.
Em 1414, D. Afonso enviuvou e contraiu segundas núpcias
com D. Constança de Noronha, em 1420.
Participante activo das campanhas africanas, D. Afonso participou na conquista
de Ceuta, em 1415, e nas lutas da regência (1438), opondo-se ao regente D. Pedro
e fazendo do seu condado um baluarte de contestação. A nomeação de D. Afonso
para governador de Entre-Douro-e-Minho e Trás-os-Montes, em Maio de 1440, não
impediu que directa ou indirectamente continue a lutar pelo afastamento de D.
Pedro da regência do reino, como se verificou na batalha de Alfarrobeira, onde
combateu ao lado de D. Afonso V. D. Afonso morreu em 1461, sento sepultado na
Igreja do Forte de S. Francisco e em 1941 transladado para o Paço dos Duques de
Bragança (Igreja de Santo Agostinho) em Vila Viçosa.
D. Constança de Noronha que fundou uma albergaria junto ao Paço Ducal para dar
assistência aos pobres e doentes.
No final da idade média, chaves era uma vila importante
talvez a mais poderosa de Trás-os-Montes,
fazia parte das rotas do Caminho de Santiago.
Idade moderna
É em Chaves que em 1483 é impresso primeiro livro em
português, o "Sacramental", embora na opinião de muitos o "Tratado de Confisson" por Colofón
em 8 de Agosto do ano de 1489 tenha sido o primeiro.
D. Manuel I outorgaria novo
foral em 1514.
Nesta
altura o Concelho de Santo Estêvão é integrado em Chaves.
Outro
concelho que existiu foi o de Monforte de Rio Livre. D. Afonso III outorgou o
1º foral em 1273. O concelho foi extinto em 6 de Novembro 1853 passando uma
parte para o Concelho de Chaves e outra para o de Valpaços.
Em 1658 inicia-se a construção do Forte de S. Francisco no
alto da Pedisqueira, para a defesa de Chaves
durante a guerra da Restauração.
Em
1664 inicia-se a construção do Forte de S. Neutel.
Idade contemporânea
A Igreja de S. João de Deus construída em 1789 no reinado D. João V.
foi erguida em anexo a um hospital militar (Hospital Real) e
confinado à ordem dos Frades de S. João de Deus. Neste hospital funcionou
em finais do século a "Aula de Anatomia e Cirurgia de Chaves" uma das quatro
escolas de cirurgia existentes em Portugal no reinado da D. Maria I
A
Cidade foi cenário de diversos episódios bélicos no século XIX, a invasão
francesa por Soult em 1808. Chaves foi a primeira cidade a ser atacada, depois
de algumas lutas Chaves foi tomada em 11 de Março de 1808.
As tropas de Soult
dirigiram-se para o Porto, deixando uma guarnição em Chaves que foi vencida e
os soldados feitos prisioneiros em 1809 pelo general Silveira.
Foi
celebrado, a 20 de Setembro de 1837, a designada Convenção de Chaves, após o
combate de Ruivães, pondo termo à revolta cartista de 1837, conhecida pela
revolta dos marechais.
Em
1853 é criado o concelho de Chaves.
Nos conturbados períodos das guerras civis do inicio do
século XIX, Chaves foi maioritariamente pela facção miguelista. No entanto
aquando da implantação da republica deu logo o seu apoio
Em
Chaves travou-se a 8 de Julho de 1912, o combate entre as forças monarcas de
Paiva Couceiro e as do governo republicano, chefiadas pelo coronel Ribeiro de
Carvalho de que resultou o fim da 1ª incursão monárquica.
Em
1921 é inaugurada a linha de caminho de ferro Régua-Chaves (Linha do Corgo),
actualmente encerrada.
O Feriado
Municipal é comemorado em 8 de Julho.
Chaves é elevada a cidade em 12 de Março de 1929 por
decreto do presidente da republica Marechal Carmona.